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Uma semana que valeu como um mês

Fevereiro 20, 2008

Nossa, não sei nem por onde começar. Eu sei, prometi um post sobre outro assunto, mas ah, as coisas que aconteceram na semana passada não podem passar em branco pelo blog.

Tudo começou na segunda-feira. Ou melhor, eu comecei a me dar conta das coisas na segunda-feira. Como meu hostfather havia viajado pra Toronto, na casa só ficou eu, as canadenses e a hostmother. E putz, ela virou uma bruxa! Perguntei a ela porque a internet não estava funcionando, e recebi uma resposta super estúpida. Fora que ela começou a falar horrores sobre o Brasil, do tipo “vocês só têm pobreza, vocês abusam dos pobres”, e muito mais….Tá, foi aí que me enchi o saco daquela casa. Pô, a mulher me fazia de empregada. O jantar era horário sagrado – se eu quisesse sair com o pessoal por downtown, teria que voltar para casa antes das 19h, e meu, o que eu vou conseguir fazer das 16h às 19h? Nada! Depois do jantar, tínhamos que lavar todas as panelas que a mulher sujou, e tipo, se eu tinha que estudar ou fazer alguma coisa importante, azar o meu. Tinha que lavar as louças e a cozinha, sim. Eu nem me importava muito com isso, mas poxa, nenhum dos meus amigos tinha que fazer essas coisas em casa. Viviam super em liberdade, e eu lá, tendo que voltar pra casa cedo. Foi aí que decidi mudar. Cheguei na escola no dia seguinte e falei com as pessoas que poderiam me ajudar. Expliquei tudinho e, como procedimento, teria que levar um papel para minha hostmother assinar, dizendo estar ciente que eu iria sair da casa dela. Puta situação chata. Eu já estava morrendo de bode dela, e me dava medo só de pensar no que ela poderia fazer, se iria me tratar mal ou não. Enfim, esperei ela acordar no dia seguinte, e entreguei o papel. Detalhe que eu já tinha feito minhas malas!

Eu já tinha recebido orientações da escola, dizendo que era melhor eu não falar que estava indo embora porque não gosto dela e da casa. Então a desculpa que arranjei foi dizer que minha família brasileira preferia que eu morasse numa homestay de judeus - o que não era verdade, mas também tive problemas com religião naquela casa… -. Quando entreguei o papel e disse isso, a mulher virou uma fera. “O que uma jewish family vai fazer por você? Porque uma família cristã não é suficiente?” Eu dizia que não sabia, mas que minha mãe estava pedindo muito pra eu mudar. Então ela falou “eu não vou assinar esse papel, e você não vai sair da minha casa pelos próximos 15 dias!!!!!” Assim, gritando. Eu, desesperada, falei que se ela não assinasse, a escola não poderia procurar uma nova família pra mim, e ela respondeu “não posso fazer nada. Assinar esse papel eu não vou”. Noossa…eu saí de casa totalmente perturbada. Acho até que passei o caminho todo falando sozinha, de tão nervosa que eu tava. Foi horrível. Cheguei na escola, e as pessoas já estavam sabendo do ocorrido (nessas horas eu amo a globalização, tá? haha) e já haviam descolado uma casa pra eu morar. Agora iria sair de Burnaby para West Vancouver. A mulher lá da escola ligou para a louca da minha hostmother, ela continuou a gritar e eles ligaram o foda-se: não ia precisar mais da droga do papel, e eu ia me mudar naquele dia mesmo. Depois da aula, chamei o Victor (um amigo do orkut que agora virou host brother! haha) e fomos pegar minhas coisas na casa daquela besta. Detalhe: a Renata, representante brasileira da escola também foi comigo. Tá louco que eu ia chegar lá desacompanhada, né? Vai que a mulher se escondesse com uma faca atrás da porta! hahahaha! Chegamos lá, peguei minhas coisas e me mandei pra nova homestay.

O Victor me acompanhou até lá, e ele viu: o banheiro da casa era a coisa mais podre do universo. Pior que hotel de estrada. E ainda teria que dividí-lo com um chinês e um koreano – fora o fato de compartilhar um banheiro horroroso com dois meninos, ainda temos que levam em consideração que esses asiáticos são piores que meninas para se arrumar. Os caras fazem chapinha e ficam altas horas arrumando o penteado. Sem chances, né? Fiquei super mal. Ainda mais quando fui deitar e descobri que conseguia escutar TUDO que o koreano fazia no quarto ao lado (imaginem do quê eu estou falando…)

A noite de quarta para quinta foi em claro. Dormi umas 3 horas só, e no outro dia cheguei na escola parecendo um zumbi. Sério! As pessoas passavam por mim, ficavam olhando e algumas até criavam coragem para perguntar “por que você está chorando?” sendo que eu não estava…Pra ter uma noção, a fofa da minha professora de conversação (agora ex) até me liberou da aula…Eu estava um caos, literalmente. E no dia seguinte ainda tinha show do Mika! Como eu ia conseguir ficar acordada? haha! Enfim, eu estava muito mal, mesmo. Quando estou cansada, fico esgotada. Não consigo nem pensar, aliás, a única coisa que passava pela minha cabeça era: “por que isso está acontecendo comigoo, meu D’us???”

Minha esperança era a homestay do Victor, que pelo que ele falava, era perfeita. O problema era que ele não estuda na mesma escola que eu, e a hostmother dele só recebe estudantes daquela escola. Ele falou com ela, ela topou, e disse que só precisava falar com a escola. Peguei o tel, repassei para a responsável pelas homestays da escola, e era só aguardar.

No final do dia, a tão aguardada resposta chegou: poderia me mudar para a tal casa! Mas só no domingo, porque eles iam pintar o meu futuro quarto. Beleza, nada mais era problema! De quinta para sexta eu consegui dormir. Aliás, eu PRECISAVA dormir, uma vez que no dia seguinte teria prova de gramática e o mais importante: show do Mika!!!!

O dia comecou bem. Passei de nível, e o show foi A COISA MAIS PERFEITA DO UNIVERSO!!!!!! LINDO, LINDO, LINDO!!!! ( post especial sobre o show em breve. E dessa vez eu prometo: em breve, mesmo!)

Ainda em estado de choque por causa da perfeição que havia visto há poucos minutos, voltei para aquela casa provisória. Cheguei lá por volta das 11 e pouco da noite, mas a adrenalina era tanta, que só dormi 1 e pouco da manhã. O despertador estava preparado para tocar às 9:30, pra me encontrar com o Victor, mas eis que….

Às 8 da manhã, a mulher abre minha porta com tudo, acende a luz, chega perto de mim e começa a me cutucar que nem uma louca. A mulher da escola havia ligado para ela na sexta-feira e avisado que eu sairia de lá. “Luiza!!!! Você vai se mudar hoje??” E eu, nem acreditando no que estava acontecendo, respondi “não, só amanhã.” E a louca: “Não! Você vai sair daqui hoje. Arruma suas coisas agora. Você tem que sair até às 10h, porque outra estudante vai chegar e vai dormir aqui no seu quarto”. Legal, eu pensei. Estava sendo expulsa, em plena manhã – ou melhor, 8h de sábado ainda é madrugada, não? Nada mais poderia acontecer comigo. E o pior era: eu não teria onde dormir aquela noite. Só poderia mudar para a casa do Victor no domingo. Onde eu ia parar??

Chamei um taxi e saí praticamente como uma fugitiva da casa daquela mulher ( pelo menos ela se ferrou, porque na segunda feira viu que não tinha o direito de fazer isso comigo. Idiota!). Cheguei na casa do Victor, deixei minhas coisas lá e saímos para fazer hora. A hostmother dele não estava em casa, e só ela poderia dizer se deixava ou não eu me acomodar um dia antes em sua casa. Andamos por Vancouver inteira, até conseguirmos falar com a mulher, umas 8 da noite. Imagine, passei o dia inteiro sem saber onde iria dormir. Hotel até era uma opção, mas como a maioridade aqui é 19 anos e eu tenho 18, não poderia. PARA MINHA SORTE, a mulher deixou, e eu fui feliz da vida.

Morram de inveja: meu quarto na casa nova parece de hotel! Tenho cama de casal, tv a cabo, telefone, varanda…e na sala tem uma televisão gigaaaante! Sem contar na banheira que posso usar para tomar banho! A senhora é super legal, não reclama de horários e nem faz a gente de empregado, haha!! Ah, e tem um suiço que mora aqui também…ele tem quase 2 metros de altura, tem 27 anos ( com cara de 21) e é metido. Mas dane-se, hahaha!

Resumo da semana: dormi em três casas diferentes, passei um dia sem saber onde iria passar a noite, tive o melhor show da minha vida, passei de nível e me estabilizei na casa nova. Foi uma semana mega conturbada, mas no fim, valeu a pena!

9 comments

  1. Caramba Luiza, que semaninha corrida em…
    agora entendi o porque voce sumiu rs, que bom que deu tudo certo e agora voce está em uma familia legal.
    Bom se voce está morando na mesma home que o Victor eu vou morar na rua do lado de onde voces moram hehheheh…

    bjos e boa sorte com a nova familia.


  2. NOSSSAAA que tristee!!

    mas foi igual conto de fadas:

    e luiza viveu feliz para sempre hahahahahha

    bjo


  3. Olha eu aqui novamente ! Sumi né!? :p Mas tô de volta e vasculhando seu novo blog ! huauhau super legais as fotos ! logo comento mais por aqui. bjs


  4. acho que esse deve ser o mais dificil do intercambio: achar uma casa boa, em que voce se sinta bem e tal uisadhiuadha eu tenho vontade de um dia fazer intercambio e morro de medo de acabar numa casa de loucos!
    mas que bom que no fim tudo deu certo, e que o show do mika foi bom e tal :D
    :*


  5. Ao menos seus problemas de adaptação àquela família foram resolvidos!
    Tomara que não aconteça mas nada ruim assim. beeijo.


  6. Puxa vida… Que aventura em rsrs
    Ainda bem que o final foi feliz. Igual aos filmes. :)


  7. Que semana 10! Claro que na hora deve ter sido um sufoco. Mas teve suas compensações!
    Meu, muito 10…
    rsrsr Liga não é que eu sou louca pra viajar…


  8. Oi…
    Tive que parar a leitura na parte “vocês só têm pobreza, vocês abusam dos pobres”…Confesso que isso me fez dar muitas risadas…
    Aliás, no Canadá tem bolsa família?
    Graças á Deus que você conseguiu uma família que te agrade…
    Beijos…


  9. putz, q semana, q adrenalina, q d+!



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